hannah olinger 549282 unsplash 1320x540 - Viver sem Rede: Trabalhar por Conta Própria sem Cair
Carreira

Viver sem Rede: Trabalhar por Conta Própria sem Cair

Quem usa as redes sociais com alguma frequência, sabe o quão fácil é encontrar relatos de pessoas que mudaram de vida, passaram a trabalhar a partir de casa, a ter mais tempo para a família e ainda passaram a ganhar mais. Fotografias do portátil ao colo, no jardim, ou dos filhos a brincar no parque, enquanto o resto da humanidade conta os minutos para se enfiar em intermináveis filas ou nos transportes… Às vezes, parece-nos que há uma fórmula mágica, uma alternativa genial que nos está a passar ao lado.

Hoje, queremos trazer a palco a desmistificação do empreendedorismo, do trabalhar por conta própria e do ser dona do próprio negócio. Quando partilhamos o testemunho de uma mãe empreendedora, como a Cidália, a Patrícia ou a Violeta, tentamos não perder o foco às dificuldades que um trabalhador por conta própria tem. No entanto, nas redes sociais, o que mais se vende é o sonho do receber sem trabalhar (muito), de ter tempo para filhos, marido e até para nós próprias, de contrariar o horário das nove às cinco com uma mentalidade empreendedora.

Quando te dizem que tu também podes ser empreendedora e dona do teu próprio tempo, não te dizem que, durante alguns anos, esse tempo vai diminuir, em vez de esticar. Que todos os minutos vão ser passados a fazer contas.

Porque estamos habituados a trabalhar por conta de terceiros, temos algumas “mentalidades” limitadoras que nos dificultam a transição para um projeto próprio. Continua a ler e descobre as crenças que te podem estar a bloquear esta transição e como as podes ultrapassar.

Rendimento fixo

A má notícia é que, quando gerimos o nosso próprio tempo, o planeamento financeiro torna-se muito mais complexo. Deixamos de ter rendimento fixo, pelo que temos de planear a longo prazo e acautelar a sazonalidade do negócio. A ideia é, mesmo em meses com menor rendimento, não entrar em pânico e ter um “suporte” sólido que nos permita cumprir com as nossas obrigações.

E se o teu rendimento depende do teu desempenho, tens de estar preparada para momentos em que não consegues produzir tanto. Doença, imprevistos familiares, internamento… Se, trabalhando por conta de outrem, existem proteções sociais para proteger os trabalhadores nestas situações, as proteções sociais para trabalhadores independentes são (quase) inexistentes.

A responsabilidade

Ter um horário de trabalho permite (à maioria dos trabalhadores) deixar o trabalho no escritório na hora da saída. Como o resultado final não depende só de nós, há uma maior leveza quando saímos de fim de semana, para ir buscar os miúdos doentes ou para tirar férias. Afinal, existem outros colegas e uma organização inteira que continua a funcionar.

No caso dos trabalhadores independentes, que acumulam, frequentemente, várias funções num só negócio, tirar uns dias é, normalmente, sinónimo de ter de trabalhar a triplicar nos dias seguintes. Todo o negócio depende de nós e pararmos significa por o negócio em pausa.

Saber vender

Seja qual for a tua área de negócio, tens de aprender a vender. É frequente ouvirmos dizer “eu não gosto de vendas” ou “eu não tenho jeito para vender”. Mas a verdade é que, a partir do momento em que apostas no teu próprio projeto, tens de ser tu própria a vendê-lo. É importante ter algumas bases de marca pessoal e marketing para poder fazê-lo da forma mais eficaz. O assunto não é nenhum bicho-de-sete-cabeças: atualmente, existe muita oferta (gratuita e paga) de materiais sobre o assunto, desde cursos, livros, coaching, etc.

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O objetivo destas palavras não é desmotivar, desencorajar ou de alguma forma fazer alguém crer que ter um negócio próprio é apenas para alguns. É fazer ver o lado menos bom. É preparar para as noites mal dormidas, para as dúvidas, os anseios, as dificuldades. Talvez possamos fazer um paralelismo entre quem é mãe pela primeira vez e quem vai abrir o seu próprio negócio: na verdade, ambas terão muitas noites mal dormidas, muitas dúvidas, muitos anseios, algumas dificuldades. Será um processo de aprendizagem que vai deixar muitas marcas (e lágrimas, às vezes). Mas, no fim, voltamos a fazer tudo de novo. Com um sorriso nos lábios.

Se vamos mudar de vida, que mudemos com a plena consciência de que a mudança, na maioria dos casos, é de 180 graus e vira tudo do avesso.