6 1320x540 - Tânia Correia: Menina, Mulher e Mãe
Carreira Maternidade

Tânia Correia: Menina, Mulher e Mãe

A Tânia é um exemplo de bravura, persistência e bondade. Quem a segue pelo blog 3 M’s – Menina, Mulher, Mãe ou pela respetiva página de Facebook sabe que as suas partilhas são feitas de transparência e muito amor. É frequente aparecer a pequena Letícia, a sua filha de 3 anos, e as suas técnicas de parentalidade positiva.

A jornada da Tânia começou quando a Letícia tinha 1 ano e se tornava impossível arranjar emprego por ter uma filha pequenina. Formada em Psicologia, a Tânia reuniu forças para renascer das cinzas e construir em cima do preconceito. Hoje em dia, tem o seu próprio projeto e faz o que mais gosta: ajudar outros pais que se sentem perdidos nesta maravilhosa viagem da parentalidade.


Nome: Tânia Correia

Projeto: 3M’s – Menina, Mulher, Mãe

Mãe de: 1 menina

No teu blog, contas que, quando tentaste regressar ao trabalho, sentiste-te prejudicada por ter uma filha pequena. Que efeitos é que isto teve na tua vida, na tua auto-estima e nas tuas ambições?

Diria que a forma como geri a rejeição quando tentei regressar ao mundo do trabalho passou por diferentes fases. Inicialmente, senti uma frustração brutal, ser penalizada por conhecer um lado tão bonito da vida – a maternidade – parecia-me demasiado injusto. Após as primeiras entrevistas, em que via claramente o brilho nos olhos dos entrevistadores a esmorecer quando se apercebiam do gap de 9 meses no CV ou quando eu espontaneamente dizia que sou mãe, senti a minha auto-estima a entrar numa espiral descendente, em que o meu valor se aproximava cada vez mais do zero. Ainda que precisasse de uma actividade profissional, a minha suposta falta de potencial levava-me a reduzir a minha lista de ambições e tive umas semanas em que cheguei a deixar de tentar.

Não consigo identificar o dia em que dei “o Grito do Ipiranga”. Recordo-me de limpar as lágrimas, levantar-me do sofá e dizer a mim mesma que não me tornaria no que a sociedade achava que eu devia ser. A maternidade não poderia ser a limitação, serviria sim como um dos meus maiores pontos de motivação – desde então que uso essa força interna.

Qual foi a pior coisa que ouviste de um entrevistador/potencial empregador?

Que a vaga a que me candidatava não se destinava a pessoas com um desempenho que viria certamente a tornar-se irregular (por causa da minha filha).

Acabaste de lançar um projeto de acompanhamento parental. Fala-nos sobre este projeto e sobre o percurso que fizeste até decidir lançá-lo.

Tanto o meu estágio curricular como a minha dissertação de Mestrado foram focados em crianças, adolescentes e pais – o trabalho com esta população era, e é, claramente uma das minhas paixões.

Devido à visibilidade que a página me deu, o número de acompanhamentos psicológicos que realizo presencialmente no Centro Clínico Face a Fase aumentou consideravelmente. Simultaneamente, surgiram muitos pedidos de apoio, quer de acompanhamento, quer de dúvidas pontuais que não exigem mais do que uma ou duas sessões, por parte de pais que vivem noutros pontos do país, alguns até no estrangeiro. Foi com base nesta necessidade clara que surgiram os dois novos serviços que têm corrido muito bem: Acompanhamento Psicológico On-line e Consultoria Parental (para dificuldades de rápida resolução).

De que forma consideras que ter sido mãe mudou a tua perspetiva sobre o mundo feminino?

A maternidade permitiu-me ver dois lados do mundo feminino. O primeiro lado, pautado pela falta de compaixão e de compreensão que existe entre as mulheres, e que se estende às mães. O segundo lado, mais agradável, em que tive oportunidade de conhecer a força que cada mulher carrega no peito, uma combinação fascinante de sensibilidade e de garra que nos torna seres ímpares, e que me levaram a entender certas escolhas e atitudes da minha própria mãe.

O teu blog e a tua página centram-se em três eixos da mulher: o lado mulher, o lado menina e o lado mãe. Que conselhos dás para gerir e manter em harmonia estes três eixos?

Manter o equilíbrio entre estes 3 eixos é “o desafio” desta vida. Na verdade, não acredito num equilíbrio pleno e duradouro a este nível, penso que todos os dias consistem numa oportunidade para explorarmos estes nossos M’s, limarmos arestas, aproximarmo-nos de um equilíbrio mais saudável, desequilibrarmo-nos e voltarmos a tentar.

Apesar de não acreditar nesse equilíbrio pleno, diria que as melhores estratégias para encontrarmos a harmonia entre os 3 M’s são a consciencialização e a aceitação. Consciencialização no sentido de manter presente a noção de que as dimensões que nos compõem interferem fortemente em quem somos – a Menina que carrega consigo uma bagagem que continua a influenciar o nosso comportamento pela vida fora, a Mulher que renasce e que por vezes vê os seus tons esbatidos no meio de tantos papéis para cumprir, a Mãe que nasce e que diariamente é confrontada com novos desafios.

Quanto à validação (aceitação), parece-me essencial, uma vez que existirão momentos em que provavelmente iremos sentir que estamos em desequilíbrio – acreditem, a dada altura, todos sentimos o mesmo; não faz mal, amanhã voltamos a tentar.


A Tânia serve de inspiração para quem viu as suas ambições limitadas: ser mãe não nos impede de ser bem sucedidas. Hoje em dia, a Tânia dá aconselhamento psicológico e parental. Podem contactar a Tânia através do blog, do Facebook e do Instagram.