david hofmann 579796 unsplash 1320x540 - Sororidade: vamos deixar de apontar o dedo a outras mães?
Maternidade

Sororidade: vamos deixar de apontar o dedo a outras mães?

so·ro·ri·da·de
(larim soror, -oris, irmã + -dade)

substantivo feminino

1. Relação de união, de afeição ou de amizade entre mulheres, semelhante à que idealmente haveria entre irmãs.

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa


A discussão sobre a relação entre bullying e redes sociais é longa. Todos sabemos que, por trás de um ecrã, há quem deixe fluir mais fel do que aquele que espalharia numa situação frente-a-frente. Este é um fenómeno que se alarga a (quase) tudo o que possamos imaginar: da alimentação saudável às relações, das demonstrações de felicidade às demonstrações de riqueza, todos aqueles que tenham alguma exposição nas redes sociais acabam sempre por sofrer às mãos de quem se sente no direito de julgar.

E as mães, claro, não são exceção. As mães, que já carregam nas costas o peso da culpa, da ansiedade, do regresso ao trabalho. Basta uma apresentadora, atriz ou cantora ser mãe para lhe caírem os holofotes em cima. Os comentários chovem sem ponderação.

Ainda está muito gorda, desleixou-se, assim não vão conseguir voltar a trabalhar. Já está em forma? É uma egoísta, está mais preocupada com o corpo do que com o bebé. Ainda está em casa? Pois, é só para quem pode… Já vai trabalhar? Que rídicula, devia mas era estar em casa a cuidar do filho.

Quem escreveu nas regras da maternidade que só existe uma forma de ser mãe? Quem decidiu qual é a maneira certa de encarar os primeiros meses de um corpo pós-parto que pode, ou não, ter as suas fragilidades?

Há mulheres que levam meses a recuperar. Emocional e fisicamente. Há mulheres que recuperam em dias. Não é uma lei: é o resultado dos hábitos, da genética e da especificidade de cada mãe. E não há nada errado, em nenhum dos casos. Apenas tempos diferentes.

Num contexto em que as mulheres ocidentais têm cada vez mais poder, mais informação, mais educação, mais relevância, que sentido faz continuarmos a atacar-nos mutuamente? Porque é que é tão fácil apontar o dedo e tão difícil mostrar amor, empatia, compaixão?

Ser mãe é incrível, mas também consegue ser uma merda. Há dias muito difíceis. E o sorriso que vocês vêm no Instagram, o vestido justo no corpo já de novo em forma, pode esconder um dia de merda e muitas lágrimas por chorar. Ao jogar as pedras que temos guardadas no bolso, mascaradas daquilo que achamos ser o correto, estamos a tornar o dia de alguém ainda mais merdoso. Estamos a levar ao limite as emoções já frágeis de alguém que está a cuidar de um ser pequenino, que precisa de amor, alegria e boas energias à sua volta.

Aquilo que te deixamos hoje é um pedido: vamos fazer diferente. Vamos mostrar que as mulheres são mais fortes juntas. Vamos mostrar que ser mãe pode ter muitas formas diferentes e que nenhuma delas está certa ou errada. Vamos criar uma corrente de sororidade entre mães.

E tu, juntas-te a esta corrente? Partilha connosco a tua opinião no Facebook e no Instagram.