Dar a volta à vida
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Patrícia Silva – Dar a Volta à Vida

Filha mais nova de 11 filhos, a Patrícia foi a única irmã a ter a oportunidade de concluir um curso superior. Formou-se em Engenharia Civil e fez o estágio perto de casa, em Amarante. Mais tarde, e depois de experiências dentro e fora da área de estudos, aceitou uma oferta num país estrangeiro.

Foi sozinha para Angola. O dia a dia não era fácil e a história, que daria tudo menos um conto de fadas, acabou com o seu regresso a Portugal com a vida virada do avesso. Na altura, o namorado (agora marido) já tinha a própria empresa e enfrentava sozinho a dura realidade da crise que assolou o país.

Depois muitas lágrimas, suor e dúvidas, são hoje ambos donos de um negócio sustentável. A Patrícia voltou a estudar, especializou-se em Segurança e Saúde no Trabalho e ajuda dezenas de empregadores a garantir a proteção dos seus negócios.

Começou o ano de 2019 com novas parcerias, novas formas de formação, mais trabalho… E uma vontade enorme de agarrar o seu futuro com as próprias mãos.

Numa entrevista sincera, a Patrícia conta-nos o lado bom e mau de gerir um negócio e uma família, sem as fronteiras de um horário das nove às cinco.

A tua família apoiou a tua decisão de criar o teu próprio negócio?

A minha família sempre achou que um canudo definia a profissão, o futuro e o dinheiro. Não foi simples mudar o rumo. O namorado, agora marido, sempre apoiou, mas são viagens assustadoras. Há momentos para tudo. Digo muitas vezes que ser empregado tem as suas vantagens, mas não abdicava da minha vida para trabalhar para outra pessoa.

Quais foram os principais obstáculos que encontraste?

Os medos, principalmente o medo de falhar. Questiono mil vezes se sou capaz, se consigo ser a pessoa ideal para o trabalho, se preciso de estudar mais, se preciso de pesquisar mais. Estou sempre em busca de ser mais e isso às vezes é o meu maior obstáculo, porque acabo por deixar a insegurança falar mais alto. Sei quem sou, sou aquela que só aceita o perfeito! Todos com quem já trabalhei na vida, só disseram bem do meu trabalho. E isso é tudo.

Enquanto mãe, como é que ter um negócio próprio mudou a tua vida?

Não é fácil! Penso mil vezes no amanhã.

Mas quero, sobretudo, dar ao meu filho o exemplo que não tive. Que ele consegue tudo, desde que queira e tenha coragem de ir em frente.

E se for e não resultar, que eu vou estar lá para ele, para ele errar até acertar!

Como é que geres o negócio próprio, os estudos e a família?

Tenho aprendido a dura lição que não consigo controlar nada. Faço por prioridades. No final do ano passado comecei a entrar ao trabalho 4 horas antes. Sim, 4 horas antes. Com a entrada do meu filho na creche comecei a trabalhar muito mais cedo, e o trabalho da empresa faço de manhã. À tarde. tenho as reuniões diárias com os funcionários, depois vou buscar o meu filho, vamos ao parque, vamos lanchar E vamos para casa. Enquanto ele brinca eu trabalho mais um bocado. Estudo quando ele vai dormir. São ritmos muito acelerados, confesso, mas aproveito os fins-de-semana para descansar e estar com os amigos. Valorizo muito o tempo com os amigos e o meu filho também.

Queres deixar algum conselho a outras mães que procuram mudar o seu rumo profissional?

Eu acredito profundamente que ser feliz no nosso emprego influencia tudo o resto na nossa vida.

Se tivesse de dar um conselho a alguém neste sentido, seria para lutar por essa felicidade, do modo que for preciso.

Se dá medo? Dá sim, mas como diz o ditado, depois da tempestade vem a bonança.


A Patrícia dá formação e consultoria na área de Segurança e Saúde no Trabalho. Para conheceres o trabalho da Patrícia, vai à sua página de Facebook e LinkedIn.