septian simon 286552 unsplash 1320x540 - Ninguém Quer Saber das Mães
Maternidade

Ninguém Quer Saber das Mães

Falamos do pós-parto, da amamentação e dos primeiros meses, mas ninguém fala da auto-estima das mães. Um estudo vem confirmar que o período mais difícil para as mães não acaba aos seis meses de vida da criança.

O título é provocador e a intenção é mesmo essa. Já repararam que, uns meses depois de o bebé nascer, ninguém quer saber das mães? Somos acarinhadas durante a gravidez, poupam-nos aos trabalhos mais árduos, satisfazem alguns caprichos, toda a gente se levanta para a grávida se sentar. E isto é maravilhoso, é assim que deve ser! Gerar um ser é uma tarefa árdua para o corpo humano.

Na fase pós-parto, também nos sentimos cuidadas e acarinhadas: toda a gente pergunta se a mãe está bem, estão todos alerta para os baby blues  e para a depressão pós-parto, há uma preocupação em manter a mãe confortável durante o período de amamentação.

E depois? O que acontece quando as crianças já estão um pouco mais crescidas, quando a mãe já regressou ao trabalho, quando tudo entra em velocidade de cruzeiro e já não se espera que seja novidade?

Comentamos que a mãe já devia ter voltado à sua forma física. Que se desleixou. Que só vive para os filhos. Que esqueceu as ambições profissionais. Que já não tem paciência para nada. Que anda sempre cansada.

A verdade é que existem imensos estudos sobre as crianças e o seu desenvolvimento neurológico, mas os efeitos psicológicos da maternidade ainda estão pouco estudados. Percebendo esta lacuna, a psicóloga Alexandra Sachs conduziu um estudo que acompanhou 85000 mulheres durante a gravidez e os primeiros anos da criança.

Os resultados mostram um padrão: a auto-estima de uma mulher começa a decrescer durante a gravidez, aumenta após o parto e até aos seis meses de idade do bebé e volta a decrescer, atingindo o seu limite mínimo quando a criança tem por volta de três anos.

A maternidade pode ter efeitos muito negativos no desenvolvimento pessoal e profissional de uma mulher. As noites em branco, as dúvidas, o bebé que começa a interagir com o resto do mundo (dividindo agora a atenção que era quase exclusiva da mãe), a pressão para voltar à forma física, as imposições sociais… Tudo isto põe em causa as suas capacidades enquanto mãe, profissional e mulher.

O estudo foi feito na Noruega, onde as políticas de natalidade são bem mais simpáticas do que em Portugal. Sabem aquela colega que está sempre de mau-humor e nunca entra nas brincadeiras do resto da equipa? Imaginem que passa a noite em claro, deixa um bebé a chorar no infantário, para a seguir perder uma hora em transportes até chegar ao local de trabalho. Isto explica muita coisa, não explica?

Da próxima vez que estiverem com uma mãe com filhos abaixo dos três anos de idade, ofereçam conforto. Façam um elogio. Perguntem-lhe como está.


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