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Divórcio sem Dor: a Mediação Familiar

O divórcio tem sempre de ser um processo doloroso? É frequente associarmos o divórcio a briga e sofrimento, especialmente das crianças. Mas há uma forma de tornar o processo mais suave. Chama-se mediação familiar e trata-se de um serviço de acompanhamento de famílias que pode ajudar em processos dolorosos, como o divórcio.

Trouxemos uma profissional da área para te falar sobre o assunto:

Ana Rita Valbom, Psicóloga Especialista em Mediação Familiar

“A separação e o divórcio representam uma vivência desafiante na vida de qualquer família. De forma comum, temos a tradição de procurar ajuda junto de advogados e por fim, tribunais. Destes, esperamos soluções para os diferendos dos pais, no momento em que se torna necessário conciliar esforços de modo a oferecer continuidade à vida familiar dos filhos.

Dois adultos que se confrontam com a frustração de uma relação que falhou optam por se separar. Acreditam que desse modo estão a dar lugar à esperança de uma vida mais feliz e aos seus filhos a possibilidade de terem pais mais realizados. A separação do casal com filhos traz para debate as questões que envolvem a partilha das responsabilidades parentais: o facto dos filhos terem duas casas e uma só família.  Existem pontos de vistas muito diferentes entre os profissionais da área (psicólogos, advogados, magistrados, juízes, técnicos das CPCJ, assistentes sociais).

Centrada no interesse da criança e no seu bem estar, surge a mediação  de conflitos familiares, como uma ferramenta extrajudicial, isto é, fora do tribunal. Neste domínio, o interesse foca-se na conjugação de responsabilidades dos pais em virtude do interesse e bem-estar dos seus filhos.

Os pais que se entregam ao processo de mediação confiam num profissional neutro, que apenas desempenha o papel de facilitador naquilo que concerne ao encontro de vontades em torno da vida dos filhos. Esta, apesar de vivida em separado com cada um dos seus pais, é gerida em conjunto por ambos. Assim, pai e mãe debatem os dias em que cada um está com os filhos e a forma como se articulam nas actividades diárias (levar à escola, actividades complementares, festas de aniversários, relação e convívios com a família alargada, escolha do colégio, pagamento de despesas de saúde, alimentação, vestuário, educação..). Também se debatem os momentos em que a criança pode, e deve, estar com os pais em simultâneo.

Os pais que beneficiam do processo de mediação familiar, têm a possibilidade de ver esbatidos os seus conflitos e divergências enquanto casal. Separar estas duas realidades e dimensões é crucial. Passam a funcionar como um casal parental e é neste foco que se trabalha e investe.

O processo de mediação familiar presume um conjunto de sessões com vista a que se alcance um acordo. O processo não finda, necessariamente, com a obtenção do acordo de responsabilidades parentais. Muitas vezes, dadas as circunstancias de vida do pai e da mãe e as modificações que as mesmas sofrem, revela-se necessário retomar o processo e ajustar o acordo obtido à realidade que as mudanças impuseram. Isto nem sempre resulta numa alteração do acordo, mas sim em apenas ajustes no mesmo.

O objetivo é único: pai e mãe unidos na tarefa da parentalidade. Este é um grande desafio que enfrenta e onde a mediação familiar pretende existir como um meio onde o espaço ao dialogo e encontro de opiniões sejam a diferença para o bem-estar dos mais pequenos.”


A Ana Rita Valbom é formada em Psicologia, com Especialização em Mediação Familiar. Se estás a atravessar um processo de divórcio complicado, ela pode ajudar-te. Entra em contacto através do email ou do Instagram.