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Carreira Maternidade

Mafalda Ferreira: Mudar de Vida, Com Amor

Há pessoas que, ainda antes de trocarmos umas palavras, nos transmitem paz, amor e confiança. A Mafalda é uma dessas pessoas. Para além de todo o amor que transmite no seu instagram, onde relata o seu dia a dia com os dois filhos, o Martim e o Dinis, e o seu filhote de quatro patas, o Uddy, a Mafalda gere, a partir de casa, a Com Amor.

Este foi um negócio que nasceu depois de ter sido dispensada da empresa onde trabalhava, já depois de nascer o primeiro filho, e que a Mafalda, com o seu talento e doçura desmedida, fez crescer à medida que cuidava da sua família.

Fomos falar com a Mafalda para conhecer a sua experiência com a Maternidade e o percurso da Com Amor.

O que motivou a decisão de ficar em casa a tempo inteiro?

Na verdade, voltei ao meu trabalho 5 meses após o nascimento do meu primeiro filho. Tenho ainda em mim muito bem gravado o dia, a semana e todos os meses seguintes à data de regresso. Foi muito difícil, foi uma altura muito impactante para mim, negativamente falando, devido a inúmeros fatores: tinha vivido um baby blues do qual ainda me sentia a recuperar, não me sentia realizada no meu trabalho, comecei a viver uma enorme pressão laboral nesse período e tinha também algumas questões familiares, nomeadamente de saúde, que me faziam sentir cada vez mais a necessidade de estar em casa integralmente para os meus. Apesar de tudo isso, a decisão de deixar de trabalhar não teria sido assim tão fácil de tomar, caso não fosse o universo conspirar a favor.

Quando o Martim tinha perto de 1 ano, fui dispensada. Dito desta forma pode não fazer grande sentido para muita gente, já que ficar desempregada com um filho pequeno pode parecer perfeitamente assustador; no entanto, com meu estado emocional a ficar cada vez mais fragilizado e visto que a vontade de irmos por esse caminho já era tanta, aquele desfecho (que se escreveu por linhas tortas) acabou por ser o melhor que poderíamos ter tido. A partir daí, começamos finalmente a viver o lema “um dia de cada vez” e tem sido assim até hoje.

Ainda antes do Dinis nascer, criaste um projeto próprio. Fala-nos um pouco da Com Amor.

A Com Amor nasce em Setembro de 2017, ou seja, muito antes ainda de imaginar que teríamos o segundo filho (Dinis) 1 ano depois. Nasceu na sequência do blog que estava bastante ativo na altura (o Meia Lua) onde eu partilhava muitas das minhas emoções e experiências, sobretudo enquanto mãe. A escrita sempre fez parte de mim e o blog era na altura muito bem recebido e tinha muitas pessoas, sobretudo mães, que o liam e acompanhavam com alguma regularidade.

Na grande maioria das vezes, o que me confessavam, tanto publicamente como em privado, era que se identificavam muito com o que eu escrevia e que gostavam também elas de o conseguir fazer, ou seja, sentiam essa necessidade de se conseguirem exprimir positivamente em palavras para os seus. Foi numa dessas conversas privadas com uma leitora que se deu o clique e tudo fez sentido na minha cabeça: eu podia ajudar essas pessoas a fazê-lo!

Foi assim que nasceu a Com Amor, da vontade de partilhar o que gosto de fazer e nesse caminho ajudar quem se queira também expressar, mas não o consiga fazer da forma que mais deseje.                          

Quando criei a página, foi tudo muito orgânico e espontâneo. A ideia base era a escrita, porque fora ela que me levara até ali, mas a ideia teria que se ir concretizando à medida que surgissem pedidos e partilhas. A minha necessidade de criar iria sempre além das palavras, por isso vieram as folhas e os envelopes texturados, tudo feito a partir de materiais reciclados, respeitando ainda mais uma filosofia que defendo. A partir do momento em que as palavras que escrevo para alguém são passadas para papel, nascem infinitas possibilidades. Novos produtos vão surgindo, a minha imaginação vai fluindo e tudo se vai encaixando no que é hoje o projeto e em breve, a marca. A essência é o Amor e daí advém tudo o que nós quisermos.

O Amor tem a forma que nós lhe quisermos dar, seja em palavras, em detalhes, em aromas, em texturas. Assim funciona a Com Amor; uma troca de partilhas e um meio de espalhar amor.

Como é gerir o dia a dia em casa, com um bebé e uma criança pequena? Como te organizas para conseguir trabalhar?

Não vou mentir, é mesmo muito desafiante. Tem dias que parece que tudo flui muito bem e chego ao fim do dia com uma sensação incrível de dever cumprido, mas, na grande maioria, é uma manobra de equilíbrio muito grande. Vou tentando encaixar o tempo nas pequenas folgas que possa ter (quando o mais velho está na escola ou quando o mais novo faz uma pequena sesta) mas eles são sempre a prioridade e por isso o trabalho tem que ficar muitas vezes para depois das horas em que só existo para eles.

Por enquanto a Com Amor funciona muito mais por picos de épocas. Apesar de ir sempre havendo pedidos e trabalhos, é nas alturas festivas (como a Páscoa, dias especiais, o Natal, etc) em que o volume de trabalho aumenta e aí é preciso gerir muito bem o tempo e espaço de trabalho.

Faço muito desse trabalho de noite, quando já estão todos a dormir. Apesar do cansaço, é quando consigo um momento de silêncio para pôr algumas ideias em ordem.

Nunca fui grande adepta de agendas, por mais que tente, acabo sempre por não seguir nada e falhar redondamente nos registos. Sou muito de memória e vivo cada pedido, cada cliente na minha cabeça. Mas agora estamos num ponto de viragem do projeto, por isso sinto a necessidade de criar ainda mais regra e para isso é muito importante ter os locais da casa muito bem definidos.

O meu local de trabalho (o cantinho da sala), tem que estar inteiramente disponível para mim. Nesse aspeto tenho muita sorte porque é algo muito respeitado cá em casa. Vamos ver quando o mais pequenino começar a crescer!

Qual é o balanço que fazes desta tua decisão?

Como referi, a nossa decisão não foi assim tão simples e linear, mas tem sido, até hoje, quase 3 anos depois, o melhor caminho que poderíamos ter seguido. Decidi que aquele momento seria um ponto de viragem na minha vida – nas nossas vidas – e ia torná-lo numa sequência de eventos positivos e valiosos para nós enquanto família. Viver os meus filhos a tempo inteiro foi, até agora, o melhor e mais gratificante desafio que a vida me proporcionou. Mas como uma mãe também é feita de sonhos, a Com Amor teria também que nascer para completar o espacinho criativo que guardo sempre em mim.

Quais são os teus conselhos para as mães que querem seguir um sonho, mas têm receio da insegurança?

Eu acho que quando há um sonho, há sempre outros tantos medos à espreita. Em tudo. Mas é terem consciência de que ter receio é perfeitamente normal e ainda bem que o sentem. Porque esse medo também tem que existir, serve de certa forma para nos ajudar a pesar tudo muito bem na nossa balança emocional. Mas, se depois de tudo muito bem pesado, o vosso coração e o vosso instinto vos continue a dizer para avançar, é porque é mesmo isso que deverão fazer! Custa sempre arrancar, porque achamos que as nossas ideias podem não ser válidas, mas é no verbo IR que moram todas as certezas do que somos feitos afinal – de sonhos.  


A Com Amor é um projeto de produtos feitos à mão, desde o desenho à textura do envelope de papel reciclado, ao aroma da flor, do incenso ou do sabonete, até ao embrulho pormenorizado. Podem conhecer os produtos e fazer encomendas através do Instagram ou do Facebook.

Não deixem também de conhecer o instagram da Mafalda, que é uma fonte de inspiração e doçura.