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A licença de maternidade acabou? 4 verdades sobre ser mãe e trabalhar a tempo inteiro

Photo by Jenna Norman on Unsplash

Se estás grávida ou a tua licença de maternidade está a terminar, lê até ao fim: tenho algumas coisas para partilhar contigo.

 

Passei a gravidez inteira a ouvir falar das noites mal dormidas, mas ninguém me preparou para o sentimento de culpa gigantesco que viria a sentir quando, já a trabalhar, tivesse de ir deixar o meu filho na creche às oito da manhã para apenas o voltar a ir buscar já quase de noite.

Ouvi histórias de terror sobre a amamentação, mas ninguém me contou o terror que ia viver de cada vez que visse o número da creche no meu telemóvel.

Prepararam-me para a depressão pós-parto e para os baby blues, mas não me falaram dos dias em que senti que falhava como mãe, porque estava no trabalho em vez de estar a cuidar do meu filho.

Podia continuar horas nesta conversa, mas acho que já percebeste o sentido. Antes de ser mãe, tinha a ideia romântica de uma mãe que trabalha a tempo inteiro porque, afinal, “não é por ser mãe que vou deixar de ter ambições!”.

Claro que não deixei de ter ambições, mas mudei por completo as minhas prioridades. A mudança foi tão rápida que houve muita coisa que não percebi e, nos primeiros meses de trabalho após a licença, consumi-me com culpa e remorsos. 

4 verdades sobre ser mãe e trabalhar a tempo inteiro

Podes dizer adeus à happy hour       

Sabes aquele ritual de sexta-feira em que se juntava a um grupo de colegas e iam beber um copo, conversar e talvez até jantar juntos? Pois, esses dias são agora uma miragem. Até pode ser que consigas continuar a usufruir de uma happy hour de vez em quando – quando o marido ou os avós ficam com os miúdos – mas a coisa nunca mais terá o mesmo sabor.

Entre a cerveja, os aperitivos e a conversa, sentirás sempre um misto de remorsos com saudades que deixam tudo com um sabor mais amargo. O mais provável é que acabes por sair mais cedo e que só te sintas em paz já em casa, de pijama, a mudar uma fralda enquanto pensas que devias ter ficado mais um bocado.

Aviso à navegação: a maternidade é esquizofrénica.

 

Os colegas sem filhos passam a ser os piores amigos – e os melhores amigos, também

Quando regressei ao trabalho depois da licença de maternidade, senti-me no limbo. Longe de me encaixar no perfil das mães, sabia que já não pertencia à categoria das “miúdas livres e sem preocupações”. Era sempre agridoce conversar sobre planos espontâneos, jantares improvisados quase de madrugada, tardes na esplanada sem mexer uma palha. Sem hipocrisias nem mentiras: senti muitas vezes inveja destes relatos, desta leveza de ser sozinha.

Demorei algum tempo até perceber como retirar o melhor de ambos os mundos: enquanto as colegas que já eram mães provaram ser um grande apoio nas dúvidas e em momentos mais críticos; as colegas que não eram mães mantiveram-me sã.

Nos dias em que tudo o que menos me apetecia ouvir era falar sobre escolas, filhos e doenças infantis, era o refúgio junto das não-mães que me provava que ainda não estava completamente louca.

 

Vais sempre sentir que não és suficiente       

 

Esta foi a mais dura realidade da maternidade, para mim: sentir sempre que não era suficiente. Que não estava tempo suficiente com o meu filho, sentir-me culpada porque comprava papas de supermercado e as outras mães faziam papas de aveia, espelta e pó de unicórnio. Sentir que tinha a casa virada do avesso, a acumular pó e roupa por passar, enquanto fazia scroll pelos quartos montessorianos das mães do Instagram. Sentir sempre que estava a sair cedo demais do emprego – ainda que estivesse a sair à hora normal – e que não trabalhava o suficiente, enquanto todos os meus colegas (mesmo os que tinham filhos) ficavam até mais tarde.

Eventualmente, o tempo ensinou-me a aceitar este sentimento. Continuo a sentir culpa, só não a valorizo da mesma forma. Nas muitas manhãs em que saio já atrasada, com os móveis cheios de pó e a roupa por passar, penso “não é tão importante assim”. Porque não é. A roupa vai continuar lá quando eu chegar e provavelmente não virá nenhum mal ao mundo por isso.

Este tornou-se o meu mantra: só me preocupar quando realmente importa. Quanto ao resto, faço o mesmo exercício: o meu filho está feliz, eu estou feliz, a família está feliz… E isso é tudo o que me interessa.

 

O fim-de-semana deixa de ter o mesmo sabor

Antes de ser mãe, o fim-de-semana era, para mim, sinónimo de muito sofá, jantar e um copo com os amigos, deitar e acordar mais tarde. Pois, mas o meu filho não ainda não percebeu bem o conceito de fim-de-semana (insiste em acordar às sete da manhã de segunda a domingo), não pode entrar em bares (e também acho que não ia gostar muito) e tem uma energia inesgotável. Por isso, os fins-de-semana passaram a ser sinónimo de levantar cedo, ir ao parque, andar de bicicleta ou ir à praia (ou outra atividade que lhe permita esgotar a energia), apanhar brinquedos do chão (cerca de cem por minuto) e adormecer no sofá dez minutos depois de o deitar (ainda que tenha programado um serão romântico e já tenha as pipocas, o filme e a manta a postos).

Não estou a dizer que é pior. É só diferente. É recompensador, é verdade, mas também é cansativo e esgotante. Os fins-de-semana nunca mais foram sinónimo de descanso e posso dizer-vos que a segunda-feira passou a ser bem mais simpática (porque regressar ao trabalho significa conseguir ficar sentada mais do que cinco minutos – um luxo, eu sei).

 

Ser mãe não é fácil. Trabalhando (ou não) a tempo inteiro, é importante ter uma boa estrutura de apoio e, ainda mais importante, a noção de que não conseguimos (nem temos de) chegar a todo o lado.

E por aí, quais foram as lições que a maternidade vos ensinou?