WhatsApp Image 2019 05 22 at 12.16.15 1320x540 - Mãe a Tempo Inteiro - Sofia Costa
Carreira Maternidade

Mãe a Tempo Inteiro – Sofia Costa

O que acontece quando uma mãe opta por ficar em casa a tempo inteiro? Para além da sociedade e da família, o que sente esta mulher?

A Sofia Costa é Consultora de Feng Shui Simbólico. Tem 41 anos, 3 filhos e uma vida inteira a cuidar dos outros. Engravidou da primeira filha enquanto ainda frequentava a licenciatura e depressa percebeu que ser mãe lhe iria ocupar os dias.  Mas será que a Sofia deixou de cuidar de si, neste percurso?

Com respostas honestas e inspiradoras, a Sofia mostra-nos os dois lados de ser mãe a tempo inteiro e conta-nos como descobriu a sua missão.

Como era o teu dia a dia quando os teus filhos eram pequenos? 

Fui contando com a ajuda dos avós para tomar conta dos miúdos. Mais tarde, frequentaram infantários, mas eu fui sempre cuidando da casa e comecei a ganhar imenso gosto por cuidar da casa e ir buscar os miúdos a escola. De poder estar em casa quando eles chegavam, visto que o meu marido tem um emprego com um horário muito absorvente. Trabalha como freelancer e dependendo dos projetos, os horários vão sendo diferentes.

Fui trabalhando como freelancer, primeiro no teatro e depois na televisão, na parte técnica. Mas nunca tive, nem nunca procurei, um emprego de segunda a sexta, 9 as 18h porque nunca almejei ser uma mulher de carreira.

Encaixei-me naturalmente neste papel de dona de casa a tempo inteiro, cuidando da casa, das tarefas da casa, e cuidando das tarefas dos miúdos, acompanhando-os na escola.

Nunca me identifiquei com o modelo de mulher de carreira, que passa muitas horas fora de casa e que viaja muito. Obviamente que respeito quem o faça e tenho mesmo muito respeito por quem o faz porque deve ser muito difícil, mas não foi isso que eu escolhi para mim.

E a faculdade?

Resolvi não continuar com os estudos , porque também não me identificava com o curso, nem com as oportunidades de carreira que o curso me poderia trazer. Comecei a ter necessidade de fazer algo por mim própria. De me conhecer e de perceber onde é que eu estava no meio disto. Comecei cada vez mais a ter esta necessidade de me situar. Onde é que ficava a Sofia no meio de tudo isto?

Cheguei a trabalhar como cantora de fado entre 2012 e 2015. Trabalhei em algumas casas de fado em Lisboa, mas chegou a um ponto onde também não me identificava com o meio fadista e nem com o facto de não estar em casa presente, muitas vezes à hora de jantar, e de chegar bastante tarde. E quando deixou de me fazer feliz, larguei sem qualquer sentimento de perda. Estava tudo certo e no lugar certo.

Mas houve aí um momento de mudança, não foi?

Sim. Em 2014 iniciei uma mudança de estilo de vida. Mudei a minha alimentação e atrás disso, da informação que fui recolhendo em blogs e livros sobre alimentação, veio a descoberta de um livro que mudou a minha vida, que é o “Poder do Agora”, do Eckhart Tolle.

A partir daí, iniciei a uma viagem de auto-conhecimento que me levou a ler livro atrás de livro sobre auto-conhecimento, desenvolvimento pessoal, as causas emocionais das doenças físicas, Mindfullness e assuntos mais espirituais. Em 2016, iniciei-me no Reiki. Tenho dois níveis de Reiki. Em 2016 inicei também um curso de Feng-Shui e sou certificada como consultora de Feng-Shui Simbólico desde Janeiro de 2019.

Sou também facilitadora de Círculos femininos e mistos. Tenho também um curso de Cristaloterapia para Reiki.

Este caminho dos Círculos Femininos e do Sagrado Feminino têm-me feito tomar uma grande consciência acerca de mim própria e tenho passado esses conhecimentos e essa experiência de mim própria a outras mulheres. Tenho-me empoderado a mim e a outras mulheres. Aparte isso, tenho ajudado algumas pessoas com o Feng-Shui. Uso o Feng-shui para o meu próprio conhecimento e auto-conhecimento das outras pessoas. E acabo por integrar tudo, o Reiki, a Cristaloterapia, o Feng-Shui, os Círculos femininos…

Falavas há pouco que cantaste em casas de Fado. Cantar é algo que te corre mesmo nas veias, não é?

Eu sempre cantei. Toda a vida cantei. Na adolescência tive banda de pop e de Rock, tanto de originais como de covers. Como já referi também cantei fado. E este bichinho da música é, de facto, muito mais que um bichinho. É o meu dom e talento natural que eu pretendo desenvolver e pretendo desenvolver este trabalho com outras mulheres.

Como o pretendes fazer?

Quero ensinar às mulheres a tirarem a sua voz e a sua expressão pessoal cá para fora, porque tenho-me cruzado ao longo deste caminho, com mulheres com problemas de expressão variados, com mulheres que querem afirmar o seu propósito e o seu poder e tem muita dificuldade nisso. E sinto que o meu caminho é trabalhar em mim esta expressão vocal das emoções tirar cá para fora as feridas, tirar cá para fora as dores e transformar em poder pessoal. Em auto-poder e não poder sobre os outros. E é o próximo trabalho que vou desenvolver. Este trabalho da medicina da voz, da música. A minha própria medicina, o meu próprio método.

Sentiste pressão da sociedade, ou familiar, para teres um trabalho das 9h às 18h?

Em relação a estar em casa cheguei a sentir alguma pressão da sociedade para trabalhar e não depender financeiramente de um marido mas também nunca me identifiquei com esse tipo de pressão. Porque se não dependemos de um marido dependemos de um trabalho, de um patrão. Dependemos de desenvolver um projecto nosso, dependemos da nossa saúde para poder trabalhar. Nesta vida dependemos sempre de  qualquer coisa. Por isso eu não vejo isto como menos do que as outras pessoas. Ou que isto me seja limitante. Eu não dependo do meu companheiro, trabalhamos em equipa. Ele não tem horários, está menos em casa, trabalha muito fora e eu sou o braço direito dele, que está em casa, que organiza as coisas em casa, que organiza as coisas com os filhos. Portanto, vejo as coisas como uma equipa e não como alguém que depende de outro alguém. Nem ele depende de mim nem eu dependo dele. Apenas somos uma equipa e trabalhamos em conjunto.

Mas senti sim, muitas vezes, essa pressão da sociedade, de familiares, de amigos, de conhecidos, até de desconhecidos. Mas nunca me deixei de ir na corrente porque senti dentro de mim que estava correcta.

Qual sentes que é o teu propósito pessoal?

Em relação ao meu propósito pessoal é o meu próprio auto-conhecimento mas também é passar este conhecimento aos outros e principalmente às outras mulheres. Ajudar a descobrir a sua voz, o seu propósito, o seu caminho, o seu poder pessoal. Ajudar a mulher moderna a recuperar a sua ancestralidade e a sua ciclicidade. Ajudá-la a perceber como é que se pode re-conectar com a ancestralidade e viver nesta sociedade moderna. Pretendo ser um veículo de transmissão de mensagem. Que é possível sermos mulheres modernas e vivermos conectadas com a Natureza, com o nosso ciclo menstrual, com os ciclos lunares. Vivermos conectadas com o todo, fazermos parte do todo, termos consciência ecológica. Não só entendermos o todo mas fazendo parte do todo.


A Sofia faz Workshops e acompanhamentos online. Conhece o trabalho da Sofia na sua página de Facebook e Instagram.