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Carreira

5 medidas para empresas amigas das famílias

Sabias que os primeiros 1000 dias de vida da criança podem condicionar todo o seu futuro?

Embora intimamente ligado às necessidades nutritivas da criança, este conceito é também aplicável às necessidades emocionais. Os primeiros 1000 dias da criança começam a ser contados na sua conceção, o que quer dizer que tanto a gravidez como os primeiros 2 anos de vida vão ser fundamentais para um bom desenvolvimento físico e emocional.

No entanto, o ritmo de vida da sociedade atual não permite que os pais acompanhem devidamente as crianças. Também derivada da perda de sentimento de comunidade, a norma é a criança ficar os primeiros 4 a 5 meses em casa, com a mãe, e ir para um berçário ou ama a partir dos 6 meses. E o pai, nesta equação, muitas vezes têm um papel “acessório”: a lei laboral empurra-o para fora do ninho 20 dias após o nascimento da criança.

Todos temos um papel a desempenhar na construção dos adultos do futuro. É nosso dever, enquanto sociedade, possibilitar uma infância estruturada e feliz. E também as empresas podem contribuir para esta estabilidade, suportando os seus funcionários com medidas amigas das famílias.

Medidas que as empresas podem tomar

Tanto se fala no equilíbrio família-trabalho e sobre como a nova geração valoriza cada vez mais a flexibilidade em detrimento do vencimento, mas a realidade pouco acompanha estas teorias. Vemos empresas que oferecem descontos no ginásios, mas ignoram os custos com as creches. Empresas que facilitam matraquilhos no escritório para que os funcionários se sintam “mais felizes”, mas que torcem o nariz quando um dos funcionários tem de sair mais cedo porque o filho está (outra vez!) doente.

Não inventámos a roda e, por isso, as sugestões que damos são apoiadas e divulgadas por organismos como a UNICEF.

Flexibilidade de horários

Este será, talvez, a medida mais apreciada pelos funcionários e também a mais fácil de implementar. Sem grandes custos associados, esta medida pode, na verdade, representar uma poupança para a empresa: redução de custos com recursos. Job sharing, trabalho remoto ou a simples possibilidade de alterar o horário de trabalho de forma conveniente para a família, sem prejuízo das funções. Obviamente que nem todas as funções permitirão esta medida mas, na era da globalização, uma grande percentagem das empresas não tem qualquer desculpa para não possibilitar este tipo de flexibilidade aos seus funcionários.

Ir para lá da teoria

Muitas empresas têm políticas de flexibilidade de horários, hoje em dia. O problema reside na falta de flexibilidade de mentalidades: mesmo que a empresa permita ao funcionário sair mais cedo para ir buscar os filhos à escola, os colegas e as chefias são, muitas vezes, bloqueadores desta flexibilidade. Porque o trabalho fica para ser feito, porque se ele sai mais cedo porque é que eu não posso sair.

Cabe às empresas ir para lá da teoria e fomentar uma verdadeira cultura de flexibilidade, quer seja por ações de sensibilização ou permitindo aos funcionários um ambiente seguro e anónimo para denunciar casos em que esta flexibilidade lhes seja negada, direta ou indiretamente.

Respeitar horários

Um funcionário com filhos poderá ter horários muito diferentes de um funcionário sem filhos. Viagens de negócios e eventos em horários noturnos podem ser impeditivos para um funcionário com filhos, especialmente se não tiver uma estrutura familiar de suporte.

Uma empresa amiga das famílias deverá ter isto em atenção e ajustar as atividades de team building e outros eventos corporativos às realidades das famílias. Respeitar o tempo em família sem telefonemas e mensagens também deve ser regra – para todos os trabalhadores

Apoio à amamentação

A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação em exclusivo até aos 6 meses. No entanto, em Portugal, a licença de maternidade paga dura apenas 5 meses. Em muitos casos, o desmame precoce está relacionado com esta pressão para voltar ao trabalho: a introdução da alimentação complementar, a dificuldade em extrair leite durante o dia, o desconforto.

Uma política simples de implementar (e, que, infelizmente, é pouco comum) é o suporte e apoio às mães que amamentam. O esforço é mínimo e o investimento também: basta ter uma pequena sala que permita às mães sentirem-se confortáveis e protegidas durante a extração do leite (que, em períodos de inutilização, pode sempre ser usada para outros fins). Para complementar, é necessário sensibilizar as funcionárias grávidas ou em regresso de licença e restantes funcionários para a importância da amamentação, criar um ambiente confortável e assumir uma postura de responsabilidade social.

Disponibilizar seguros de saúde

Embora já muitas empresas o façam, esta é uma medida a referir. Proporcionar ao funcionários um plano de saúde que é extensível aos filhos é uma excelente medida para beneficiar as famílias. Muitos pais valorizam uma alternativa ao Sistema Nacional de Saúde quando se trata da saúde dos filhos e poder ter acesso a este tipo de cuidados de saúde sem pagar é visto como muito positivo por parte dos funcionários.

As grandes empresas, devido ao volume de funcionários, têm uma capacidade de negociação perante as seguradoras que não se compara à das pequenas empresas. No entanto, há sempre um ponto de equilíbrio entre benefício para a empresa e para o funcionário – e é este ponto que as empresas devem procurar.


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