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Carreira Maternidade

E se não nascessem mais crianças?

As mulheres em idade fértil são colocadas de parte nas entrevistas, as mães são convidadas a escolher entre ter uma carreira e acompanhar os filhos, os pais são questionados quando tentam exercer os seus direitos, o patrão torce o nariz quando mais uma colaboradora anuncia uma gravidez… Então e se, de repente, deixasse de nascer crianças?

A indústria infantil, em Portugal, enriquece muitos patrões e dá trabalho a muitos funcionários. Só o mercado têxtil infantil movimentava, em 2016, 135,6 mil milhões de euros. Se juntarmos a esta equação os produtos de higiene, a alimentação, o entretenimento e todos as outras áreas nas quais existe o nicho infantil, qual seria o prejuízo para as empresas?

Parece idiota colocar a questão assim, mas talvez esta seja a única forma de fazer ver as empresas que é cada vez mais urgente haver um equilíbrio entre vida familiar e profissional: mexendo nos milhões.

Ainda assim, as necessidades das famílias continuam a ser ignoradas. Os pais continuam a ser forçados a não tirar a sua (parca) licença por completo. Um terço das mães largam por completo as suas carreiras para ficar a cuidar dos filhos. Uma grande parte das mulheres que se transformam em empreendedoras fazem-no durante os primeiros meses de vida dos filhos.

O sistema é falível e a sociedade sabe disso. As crianças estão cada vez mais indisciplinadas – porque lhes falta cada vez mais a disponibilidade dos pais. Os casais têm cada vez menos filhos – porque as horas para dar mimo e educar já são suficientes. A taxa de natalidade está baixa – porque a mulher que engravida, ao comunicar à entidade patronal, ainda sente medo.

É preciso (e precioso) tornar as empresas amigas das famílias. Estruturar esquemas de funcionamento que permitam às mães e aos pais dar o melhor de si em todas as esferas da sua vida. Transferir o mérito “do trabalho à hora” (premiando erradamente o funcionário que fica no escritório até bem depois da hora) pelo mérito do trabalho bem feito. Criar sistemas que permitam a flexibilidade, disponibilidade e satisfação que realmente aumenta a produtividade.

E se amanhã não nascessem mais crianças? Iriam os patrões ficar contentes?


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