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Carreira Maternidade

Cor de Violeta: Criar um Negócio Depois de Ser Despedida

O despedimento de mulheres grávidas é uma prática comum nas empresas portuguesas. É triste, é injusto e, acima de tudo, é ilegal – o que parece não ser um impedimento para os patrões. Hoje, trazemo-vos a história da Violeta. Tal como a Ana, a Violeta foi despedida durante a gravidez. Ao tentar regressar ao mercado de trabalho, percebeu que a vida nunca mais seria a mesma. As empresas não querem contratar mães. E, assim, decidiu criar um negócio.

Assim nasceu a Cor de Violeta, uma marca de vestuário feminino inspirada no slow-living algarvio. É de Tavira que a Violeta gere o seu negócio que, atualmente, tem presença em lojas multimarca e através das redes sociais. As peças são confeccionadas no Algarve e é lá também que podem encontrar o showroom da marca.

Colocámos algumas questões à Violeta. Leiam abaixo o testemunho de determinação desta mãe que transformou a desigualdade numa oportunidade.


Nome: Violeta Weitz

Projeto: Cor de Violeta

Mãe de: 2 rapazes

Antes de seres mãe, já tinhas sentido algum tipo de entrave no mercado de trabalho por seres mulher? Sentiste que as tuas oportunidades estavam limitadas?

Fora os entraves naturais de falta de experiência no início de carreira, nada fora do normal.

Ao engravidares, qual foi a reação dos teus patrões? O que aconteceu?

Estava no meu segundo contrato de trabalho e, inicialmente, a reacção foi muito boa. Fui recebida muito carinhosamente pelas colegas e pela gerência. Isso tudo acabou quando a minha médica me passou baixa no sexto mês de gravidez. De repente, os meus colegas passaram a queixar se, que, devido à minha ausência,  tinham maior carga de trabalho. A gerência passou a estar incontactável e não tardou a carta a avisar que não renovariam o contrato. Antes do fim da gravidez estava desempregada.

Como é que isso motivou a criação do teu próprio negócio?

Após o nascimento do meu primeiro filho e o ingresso dele na creche, tentei de várias formas regressar ao mercado de trabalho. Consegui alguns trabalhos como freelancer, mas não era o suficiente.

Respondi a inúmeros anúncios e fui a imensas entrevistas. Estas corriam sempre muito bem, até ao momento em que me questionavam se tinha filhos…

Era riscada de imediato, sentia na expressão dos entrevistadores que, ao responder que sim, tinha estragado tudo. Chegaram a perguntar-me se pensava ter mais filhos…  

Desisti completamente, parecia impossível, não há trabalhos para mães. No meio disto tudo, e muito inesperadamente, engravidei de novo. Ainda durante a segunda gravidez, debrucei me sobre o que poderia fazer ‘depois’. Não sei se culpo as hormonas da gravidez, mas ficou para mim muito claro de que não iria mais trabalhar para um patrão. Sujeitar me a ser despedida por ter filhos ou voltar a ser rejeitada em entrevistas por ser mãe era impensável. Queria ser melhor pelos meus filhos, ser um bom exemplo de trabalho. Resolvi seguir uma área completamente diferente que havia abandonado ainda estudante: a moda.

Quais são os desafios que encontras agora, enquanto empresária e mãe?

É difícil gerir o “bebé negócio” e os bebés reais. Sinto frequentemente que uma das áreas não recebe a dedicação que deveria.

Voltarias a trabalhar por conta de outrém se surgisse a oportunidade? Que impacto teria isso no dia a dia da tua família?

Poderia voltar a trabalhar por conta de outrem se surgisse um cargo ao nível do que tenho hoje, com honorários equivalentes, num horário laboral normal. Mas, honestamente, não sei se conseguiria. Após tantos anos de liberdade de horários e estando no comando, questiono-me realmente se não trabalho melhor quando o negócio é meu.


Conheçam as peças da Cor de Violeta no Facebook e Instagram. A marca envia para todo o país e, em breve, fará o lançamento do website!