carolina heza 386850 unsplash 1320x540 - Ansiedade pós-parto ou apenas cansaço: como distinguir?
Maternidade

Ansiedade pós-parto ou apenas cansaço: como distinguir?

Depressão pós-parto, baby blues… Estes não são termos novos e chegam mesmo a ser abordados em cursos pré-parto. Então e ansiedade pós-parto?

O que é a ansiedade pós-parto?

A depressão pós-parto e os baby blues são um assunto sério: já não há médico ou curso pós-parto que não prepare as grávidas (especialmente as que vão ser mães pela primeira vez) para o desalinho de emoções que se sente após o parto.

É importante distinguir a ansiedade da depressão pós-parto. Enquanto, na depressão, predominam os sentimentos de tristeza, impotência e culpa, a ansiedade pós-parto carateriza-se pelos pensamentos acelerados e invasivos, que podem impedir a recém-mãe de dormir, descansar e até mesmo interagir com o seu bebé e os restantes membros da família de uma forma saudável.

De repente, tudo passa a ser urgente. Arruma a casa, preparar as refeições, cuidar do bebé, responder a emails, estar em forma: a mulher deixa de conseguir criar prioridades e a impossibilidade de levar a cabo todas as tarefas leva-a ao extremo. Os sinais são claros: ataques de pânico, medo de estar entre multidões ou o constante receio de que aconteça alguma coisa com o bebé.

Como distinguir a ansiedade do cansaço?

A ansiedade permanente leva a que a recém-mãe se sinta incapaz de tomar conta do bebé sozinha e também de descansar, sendo frequente que mulheres que sofram de ansiedade pós-parto estejam em constante sobressalto, mesmo durante a noite, confirmando continuamente se o bebé está bem, se continua a respirar, se se virou de barriga para baixo.

Com as hormonas ainda desreguladas, o corpo a habituar-se a toda a novidade e a falta de descanso, isto escala rapidamente para sintomas físicos, sendo mais frequentes o aumento do ritmo cardíaco, dores de cabeça, dores de estômago, entre outros sintomas.

A maioria das mães interpreta estes sinais como o cansaço típico dos primeiros meses e negligencia os sintomas. Como o maior foco dos profissionais de saúde é a depressão, a ansiedade pós-parto nem sempre é corretamente diagnosticada, mas isso não a torna menos prejudicial para a mãe, o bebé e toda a família.

Como perceber se é simplesmente preocupação ou um caso mais grave?

Todos nós sentimos ansiedade e isso é normal. A ansiedade que nos leva a confirmar se o nosso bebé está bem é uma resposta biológica para a continuidade da espécie. Apesar de todas as mães (e pais) se debaterem com preocupações e pensamentos menos positivos em relação ao estado de saúde dos seus filhos, a maioria de nós aprende a lidar com eles e a desvaloriza-los quando são infundados. É quando perdemos essa capacidade de triagem que nos devemos preocupar.

Os sinais de alerta são claros: quando as preocupações começam a tomar contornos irracionais (mas impossíveis de controlar), quando a ansiedade começa a tornar impossíveis certas tarefas (como, por exemplo, conduzir com o bebé no carro) ou quando surgem os primeiros ataques de pânico.

É comum que os primeiros sintomas de ansiedade pós-parto ocorram nos primeiros meses seguintes ao parto, mas esta condição não é exclusiva das mães mais recentes. É até bastante comum que o fim da licença e o stress do regresso ao trabalho despolete alguns dos sintomas.

Quem pode ajudar?

Na verdade, todos podem ajudar. O pai, os avós, os amigos. Dar algum espaço à mãe para descansar pode ajudar bastante. Se, ainda assim, os sintomas persistirem, deverá procurar ajuda junto de um profissional qualificado. Se não sabes onde procurar, começa por consultar o teu médico de família ou os enfermeiros do centro de saúde da tua zona de residência. Eles saberão como te podem ajudar. Caso estejas a sofrer algum dos sintomas referidos, entra em contacto com a Linha Saúde 24 para saber como deves proceder.