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Acne e Outras Histórias: Conhecer o Nosso Corpo é Fundamental

Este é um tema bastante pessoal, mas que decidi partilhar por ter a certeza que posso ajudar muitas pessoas com o meu caso. Esta não é uma história sobre acne, é sobre a importância do auto-conhecimento do nosso corpo. No meu caso, foi isso que me levou a conhecer melhor o meu corpo e questionar a medicina convencional (o tratar os sintomas com medicação sem ir à raiz do problema).

No vosso caso pode ser qualquer outra questão física que vos faça sentir menos bem, e que por vezes aceitamos como normal, ou damos a desculpa de “Eu sou mesmo assim. Já é de mim. Sempre fui assim”. Ter sempre a barriga inchada, ter eczema, psoríase ou outros problemas de pele, ter problemas de circulação, ter muita celulite ou gordura no geral, tendência para depressão ou pensamentos confusos… Há inúmeras situações que achamos normais, mas que não o são. São comuns, sim. Mas não são normais. O nosso corpo avisa-nos dos sinais laranjas (e vermelhos) através dos sintomas que nos dá, nós só temos de o aprender a ler e dar-lhe o que ele precisa.

O auto-conhecimento é essencial, e não falo de livros de auto-ajuda, mas sim de conhecermos o corpo em que habitamos uma vida inteira. De nos conhecermos enquanto mulheres: os nossos ciclos, como nos sentimos mental, física e emocionalmente. Percebermos que aquilo que pensamos, comemos, exercitamos, aplicamos em nós, faz toda a diferença na forma como nos sentimos. Conhecermos-nos intimamente! Sermos as nossas melhores amigas, cuidarmos de nós como cuidamos dos nossos filhos, da nossa família, dos nossos amigos!

A minha história é longa, mas também o é o meu caminho. Acima de tudo quero convidar-vos à reflexão. Quantas vezes se sentiram menos bem com algo no vosso corpo e acharam que era normal? Quantas vezes foram ao médico e aceitaram, sem questionar, o que vos estavam a dizer ou receitar? Quantas de nós tomamos medicação para problemas crónicos? E se vos disser que a alimentação vos pode mesmo curar dos vossos problemas crónicos (que, só por acaso significa “que dura há muito tempo” e não “que é para a vida toda”)?

IMPORTANTE: Não estou aqui para duvidar de toda uma classe médica. Os médicos são humanos que, tal como nós aplicam o seu conhecimento o melhor que sabem, mas não conseguem saber tudo, muito menos conhecer o teu corpo tão intimamente quanto tu o podes conhecer. Estão lá para te ajudar, para guiar. Só tu saberás o que é verdadeiramente normal para ti e o que não é assim tão normal! E mais uma vez reforço, o comum não significa normal!

A minha história

Quando deixei de ser menina e passei a ser uma adolescente, perto dos 12 anos, o acne surgiu na minha vida. Foi considerado uma coisa normal para a idade e até aos meus 20 consultei mais de 8 dermatologistas, cada um com “um tratamento que vai trazer muitos resultados”. Desde produtos tópicos (cremes, loções, mezinhas caseiras…) a medicação forte (o famoso Roacutan e até antibióticos). Nada resultou. Algumas vezes questionei sobre se a alimentação teria alguma coisa a ver, a resposta era sempre a mesma “deve evitar o chocolate, a laranja e os morangos mas não há nada que demonstre uma relação entre o seu acne e a alimentação.” Cheguei a fazer análises hormonais, pedidas e vistas por um médico de família, que nada revelaram. “Isso há de passar com a idade!” disseram.
Confiei sempre nos médicos. Não tinha tido nenhuma situação na vida que me tivesse feito questionar as certezas inabaláveis dos médicos. Afinal de contas, a medicina é uma ciência exacta e os médicos são os especialistas do corpo humano: se eles dizem que é assim, quem sou eu para questionar! Certo?!

A adolescência passou e eu continuei com acne forte. Com todas as marcas físicas e psicológicas que isso foi causando ao longo dos anos: baixa auto-estima, baixa confiança em mim, timidez e alguma dificuldade de socialização. Se nunca tiveram acne, talvez não saibam como a frase “Já viste a tua cara?!” podem deixar marcas. É como dizer “Já viste essa barriga?” ou “Já viste que tens as pernas cheias de varizes?” ou “Já viste a quantidade de asneiras que dizes?” (que, só por acaso era o que me apetecia responder às pessoas mas que não tinha coragem, porque muitas vezes  vinham do meu circulo familiar ou de amigos…). Sim, eu tinha espelhos em casa e via bem demais o estado em que tinha a cara (e as costas). Obrigada por acentuarem!

Mas os anos foram passando e eu fui aprendendo a lidar melhor com a situação e aceitá-la como normal.

Foi quando fiz 30 anos que comecei a questionar tudo o que os médicos me tinham dito e a perceber que não, aquilo não podia ser normal. Além do acne que nunca foi embora, comecei a engordar sem motivo aparente, a ficar com eczema na dobra dos braços e no pescoço e o cabelo começou a cair muito.

Fui a uma dermatologista, que me receitou imensos produtos para a pele e para o cabelo (creme para a cara para a noite, creme para o dia, gel para lavar, creme para o eczema, loção para o cabelo antes de deitar, champô para lavar, tónico para aplicar depois…) e que disse que o que eu tinha era crónico e que teria de aprender a viver com aquilo e que os produtos iriam atenuar mas nunca iria passar totalmente. Perguntei “Mas não pode existir nada na alimentação que possa estar a  causar isto?” e a resposta foi “Não. Há quem diga que os laticínios podem provocar algumas alergias mas não está comprovado que possa haver uma relação.”.

Pronto. Arrumei a viola no saco e fui à farmácia aviar a receita. A farmacêutica que me atendeu foi colocando os produtos todos em cima do balcão e eu fui vendo que os frascos de cada produto eram mínimos e que aquilo só iria dar para (mais ou menos) um mês. Pedi-lhe que antes de fechar a conta me indicasse o valor, pois poderia não ter dinheiro suficiente no momento para pagar (já tinha gasto 85€ na consulta e não andava a nadar em dinheiro). A senhora foi extremamente simpática e disse-me que tudo ficaria em 280€. Fiquei em choque! 280€ em produtos que teria de comprar todos os meses para tratar esta minha nova condição “crónica”. Nesse dia decidi que não ia levar mais produto nenhum e que ia procurar outro caminho.

Falei com uma amiga nutricionista que me explicou que eu tinha sintomas de intolerância alimentar. Intolerância e não alergia. O meu corpo não reagia de forma alérgica, mas não conseguia assimilar alguns alimentos, causando inflamação.

Fiz análises ao sangue para avaliar que alimentos estavam a causar a inflamação. Tudo o que tivesse glúten, lactose, ovos, banana e alho. Estes alimentos não eram absorvidos pelo meu organismo e o meu intestino reagia, impedindo algumas vitaminas de serem absorvidas correctamente, como as vitaminas do grupo B. Tinha também falta de Zinco e de Ferro. Basicamente, o meu organismo estava no limite.

Comecei uma dieta rigorosa de 3 meses. As primeira semana foi de ressaca pura e dura. Só me apetecia comer tudo o que não podia, em particular tudo o que tinha glúten. Afinal de contas eu era a pessoa que comia pão ao pequeno-almoco e ao lanche (no mínimo). Senti que o meu corpo estava completamente viciado e dependente porque fiquei durante alguns dias com muito mau-humor. “Não podia” ir a lado nenhum porque não havia sítios onde pudesse comer sem glúten, lactose ou ovos (em 2013 ainda não havia tantos sítios “da moda”, sem glúten e lactose, como há hoje em dia – o que para muitos é uma moda, para mim foi uma benção!).

Mas a verdade é que estava disposta a tentar, pelo menos por 3 meses, para ver se realmente era isso que me estava a provocar tudo aquilo.

Ao fim da segunda semana de alimentação “rigorosa” (que, basicamente, significou uma alimentação sem alimentos processados!), a minha pele estava como nunca a tinha visto. Ao fim de duas semanas via resultados melhores que alguns tratamentos que tinha feito durante meses!! Percebi que estava no caminho certo.

Ao fim de três meses a minha pele limpou e estava como há muito tempo não me lembrava, o cabelo parou de cair e estava novamente a crescer, perdi 8kg e sentia-me com uma energia e uma clareza mental que já não me lembrava desde que tinha 20!  E isto podia ser o fim da minha história. Mas não é. (Eu avisei que era longa!)

Conhecer novamente o corpo depois de ser mãe

Em 2016 engravidei. Foi um momento muito feliz e a minha gravidez correu super bem (nem enjoos tive). Depois de ter o bebé o meu corpo voltou a sofrer um rombo gigante e as minhas hormonas levaram a melhor sobre mim. Mais uma vez, procurei um médico de clínica geral e expliquei os sintomas que sentia. Ele relativizou, dizendo que eram comuns num pós-parto e que iriam passar, mas eu insisti e prescreveu-me algumas análises, incluindo à tiróide. Segundo o diagnóstico estava com hipotiróidismo e deveria tomar medicação. Antes de comprar a medicação, consultei um nutricionista especializado em inflamação, que, com uma análise mais completa, me disse que o que eu tinha era hipotiróidismo pós-parto e que era uma situação reversível com a ajuda da alimentação. E foi. Durante algum tempo.

Só que, a partir dos 30/35 anos de idade, o corpo humano começa a perder 1% a 3% de hormonas por ano e a diminuir a produção de algumas hormonas importantes para nós — como as tiroideias, a progesterona ou a DHEA.

Aos 35 anos, e já com uma alimentação base muito boa e cuidada, percebi que o meu corpo não está a reagir (ou no seu potencial máximo) e decidi procurar novamente ajuda especializada e encontrei a Dra. Marta Padilha, que para além de ser uma querida (e nós precisamos de pessoas amáveis e que nos compreendam de mulher para mulher, com respeito!) é muito profissional e me está a ajudar a conhecer, mais uma vez e um pouco melhor, o meu corpo.

Resumindo e baralhando: oiçam o vosso corpo, procurem uma segunda (ou 3ª) opinião, informem-se, perguntem se alguém já passou pelo mesmo, testem, experimentem outras opções, não desistam de vocês próprias! O vosso corpo é o local onde vão viver o resto das vossas vidas. Se há local que devem conhecer é este!


Sentes-te sempre cansada, irritada, sem força? Sabes que, além do “cansaço materno”, esses sintomas podem estar a esconder um problema maior? Se queres saber mais sobre a influência das hormonas no bem-estar feminino, lê o nosso artigo sobre o desíquilibrio hormonal.