Igualdade Salarial
Carreira

A Igualdade Salarial em 2019

No dia 8 de novembro, assinala-se o Dia Europeu da Igualdade Salarial. Em Portugal, as mulheres ganham aproximadamente menos 22% do que os homens. Mas mudou realmente a forma como a sociedade olha para o trabalho da mulher?

A desigualdade vai diminuindo, mas a uma velocidade que não acompanha a restante evolução da sociedade: as rendas imobiliárias, o custo de vida, os preços das creches, a pressão para que a mulher tenha uma carreira. Nos últimos 40 anos, muito mudou. Mas as mulheres continuam a enfrentar desafios. Sejam os contratos temporários (que, muitas vezes, servem de escudo para as empresas conseguirem terminar o contrato assim que a mulher engravida), a pressão para terminar a licença de parentalidade o mais cedo possível ou os horários pouco amigos das famílias (criando uma geração de pais ao fim de semana), o mercado de trabalho não oferece as mesmas oportunidades a mulheres e a homens.

As mulheres ganharam o direito a trabalhar, no que quiserem, quando quiserem. A ter uma profissão. O trabalho tem sido, garantidamente, uma das formas mais relevantes de empoderar a mulher portuguesa. As universidades têm cada vez mais mulheres a estudar e, em 2017, o número de diplomadas, em Portugal, foi significativamente superior ao de diplomados.

Ainda assim, a mulher continua a ser vista como a “cuidadora”. É ela que suporta, na maioria, o peso do trabalho não pago. O estudo “A Mulher em Portugal, Hoje”, da Fundação Manuel Francisco dos Santos, veio revelar que o aumento do número de horas dedicadas ao mercado de trabalho não significa uma redução das horas dedicadas ao trabalho doméstico.

A conclusão? Trabalhamos mais (porque acumulamos a profissão com o cuidado da casa e dos filhos), somos vistas como um problema para as empresas (porque podemos engravidar) e ganhamos menos. A mudança é lenta e desesperante. Daqui a 20 anos, ainda vamos ter de explicar às nossas filhas que, apesar do que a sociedade lhes diz, não valem menos do que um homem?


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